Escrito no dia 31 de Julho, 2007, por dardna em Design de Comunicação (escrito), Métodos de Investigação.
(exercício de tese)
Hoje em dia, mais do que nunca, o indivíduo deve preferir a multidisciplinaridade à especialização na sua formação.
Se a tendência ao longo dos tempos parece ter sido a da especialização, esta parece também ter sido a melhor forma de manter o especializado alienado de questões estrangeiras à sua área.
Na prática, na sociedade que todos conhecemos, aumenta o número de especializados que acabam por não pôr em prática a sua formação e isto deve-se muito provavelmente ao facto de muitas das formações propostas acabarem por não oferecer uma grande variedade de colocações no mercado de trabalho.
Poder-se-á afirmar que antes saber fazer um coisa bem do que muitas razoavelmente mas parece-me isto um reflexo da mentalidade e valores que ainda regem a nossa sociedade. Afirmo portanto que a maior riqueza não será o acumular de uma qualquer substância valiosa ou um poder produtivo imediato mas antes o “know how” – o saber como produzir. Ver mais...
Escrito no dia 31 de Julho, 2007, por dardna em Métodos de Investigação.
a partir do texto sobre Memes: Novos Replicadores
Escrito no dia 18 de Julho, 2007, por dardna em Design de Comunicação (escrito), Métodos de Investigação.
Recensão Crítica sobre “O Planeta Americano” de Vicente Verdú editado em 1997 pela Terramar
Fruto de três anos de vivência em território norte-americano, este estudo partia, da mão do jornalista e escritor espanhol Vicente Verdú, como uma mera descrição factual. Visava demonstrar pelo desenho empírico de uma “mentalidade americana” os axiomas pelos quais esta não deveria poder continuar a sua expansão pelo resto do globo.
O próprio autor admite claramente desde as primeiras linhas que um desgosto amoroso vivido ao longo da sua estadia acabou por o afastar da objectividade desejada no resultado final mas de facto, pelo próprio ponto de partida, não é nele a imparcialidade a primeira preocupação.
Que se vive em todo o mundo uma espécie de contágio do modo de vida americano é indiscutível: desde a produção cultural, passando pelo fast food, e chegando mesmo à forma de pensar a política, cada vez mais parecemos seguir o padrão americano. Assim Verdú sente que é seu dever moral “descrever alguns fundamentos que, a seu ver, explicam o seu modo de entender a vida e inviabilizam que sejam copiados na Europa ou na China” (pag. 8).
Definindo numa linguagem clara e acessível este retrato comunitário, descuida frequentemente o tom, deixando transparecer ainda mais evidentemente a sua opinião. Como teremos ocasião de constatar ao longo desta análise, se era seu intuito deixar o leitor tirar suas próprias conclusões de uma descrição fria não foi isso que aconteceu e muito menos conteve a sua opinião na conclusão. Está certamente no seu direito de escritor mas talvez ganhasse em fundamento se se abstivesse de utilizar certos vocábulos de forte conotação.
Não quero com este reparo denegrir de forma alguma a reflexão levada a cabo ao longo do livro, esta até está saudavelmente defendida recorrendo principalmente a estatísticas, demonstrando com isso algum gosto por esse tipo de linguagem, e outros trabalhos escritos, curiosamente quase todos eles de origem americana.
Em suma Vicente Verdú quer, sem nunca sair do território americano, revelar apaixonadamente a sua forma a nós – Europeus – para que vejamos como este já se encontra tão enraizado nas nossas sociedades e provar a inviabilidade de uma continuidade neste sentido. Desejava tê-lo feito de uma forma objectiva mas esse não foi o caso: parece que os factos apresentados não satisfizeram a sua urgência tendo assim que recorrer ao próprio estilo, por vezes no limite da ironia, para convencer.
Logo à partida poderemos dizer que este senhor se apresenta, depois de três curtos anos de vida nos Estados Unidos, como grande conhecedor da sua natureza profunda e claramente parcial desde o inicio mas como já o disse isso não invalida de todo a sua reflexão sendo que esta levanta aspectos de certo interesse, ainda que mais felizes no campo da teorização social do que na crítica politica, na minha opinião. Ver mais...
Escrito no dia 13 de Julho, 2007, por dardna em Design de Comunicação (escrito), Media II - Cinevideo.
(proposta de guião a partir do incipit imposto - max 2xA4)
PRÉMIO
[Numa estação de comboios um homem corre com uma mala de alumínio na mão. Testemunhas olham para trás e vêem um corpo junto a um cacifo arrombado. No dia seguinte a polícia encontra o cadáver do homem que corria na estação. Um dos polícias observa curioso as mãos e o rosto do homem. Parecem queimadas. Um carteiro que passava descreve um casal com uma mala de alumínio a passar em alta velocidade num Mercedes. O jornalista] Locksher [investiga o caso, ao ler o relatório judicial descobre que o primeiro homem também tinha marcas que aparentavam queimaduras. À noite um informador telefona ao jornalista e afirma ouvir gritos de uma janela. Junto à pensão vê-se um Mercedes. O jornalista decide ir lá.] Chegado perante a porta espera algum tempo qualquer som do interior mas não obtendo reacção improvisa um papel e bate á porta. Um homem abre a porta o máximo permitido pela tranca de corrente e o jornalista consegue entrever ao fundo da sala, entre as pernas da mulher sentada num divã, uma mala de alumínio. Alega enganar-se na porta e apressa-se a voltar ao seu caótico estúdio. Cedo na manhã seguinte regressa à mesma morada disposto a arriscar novamente por novas dicas mas desta vez ninguém responde à porta nem está presente o Mercedes. Instala-se então no café Avalons, do lado oposto da rua da pensão, de forma a controlar a sua entrada. O jornalista espera muitas horas no mesmo lugar, especulando num bloco de notas. Já depois do sol-posto chega o casal esperado, descontraidamente, transportando o homem debaixo do seu braço um embrulho que aos olhos do jornalista era a mala disfarçada. Desapontado com a impossibilidade da sua suposição regressa a casa e deita-se nitidamente farto do seu dia. É acordado antes do sol nascer pelo telefonema do amigo policia, que facilitara anteriormente o acesso ao caso, que o informa de duas novas mortes perto do café Avalons. Corre ao local, no seu modo desajeitado, e no meio do aparato policial, montado no apartamento por ele antes visitado, vê o casal estendido no chão e neles reconhece as mesmas marcas que nos corpos anteriormente reportados. Vasculha sofregamente o local do crime em busca das malas mas da presença destas nada resta. Um homem transpirando ansiedade agarra a mala de alumínio nos seus braços e diz ao telefone de uma apertadíssima cabine publica estar em posse da mala e ter feito tudo como lhe fora precisado respondendo a voz off do informador que combina o encontro para lhe entregar o seu prémio. António Andrade 19.06.07