Cartazes de Müller-Brockmann
Escrito em Outubro de 2008, por dardna em Design III, Design de Comunicação (escrito), Design de Comunicação (gráfico).
Designer gráfico e professor, o suíço Joseph Müller-Brockmann produziu desde 1951 um número considerável de cartazes para concertos, assim como diversas colaborações com grandes empresas, e é ainda actualmente inspiração para muitos designers.
Reconhecido pelas suas formas simples e limpa utilização da tipografia, é também autor de vários textos sobre a prática do design, nos quais se revela um verdadeiro advogado da utilização da grelha.
Considerado um dos pioneiros do “estilo suíço”, nasceu em 1914 e deixou-nos oitenta e dois anos depois.
Também eu me sinto especialmente atraído pelos seus trabalhos, mais do que pela simplicidade, pela coerência e clareza (ou eficácia). De certa forma o seu estudo parece-me incidir sobre a forma de captar a atenção sem ferir o seu público e sobre como comunicar com o mínimo de ruído possível. O número de elementos é portanto contido, e a composição justificada com muito detalhe.
Apesar de isto poder parecer antever cartazes vazios de estética, sinto o oposto, seja a uma primeira vista, seja tentando adivinhar o conceito original, acabando por se revelar alguma poética na sua forma de ilustrar.
Uma das características mais berrantes do trabalho de Joseph Müller-Brockmann, e que aliás acaba por caracterizar todo o “estilo suíço”, é sem dúvida a sua preocupação em se justificar com uma grelha. Mais do que isso, é constante a utilização de fontes não serifadas, umas vezes em caixa mista, outras limitando-se à caixa baixa. Não havendo por vezes recurso a qualquer tipo de ilustração, substitui casualmente esse aspecto apelativo pela utilização de uma cor de fundo secundária, moderando o contraste de toda a composição.
Sendo então prioritário organizar a informação, são hierarquizados os tamanhos tipográficos de forma a
permitir uma leitura de vários níveis mas sempre clara.
Recorrentemente empregado para eventos musicais, mas não exclusivamente, experimenta por vezes reduzir a quantidade de informação: o texto continua independente mas inserido num jogo gráfico simples e plano, muitas vezes limitado às formas mais elementares, e que aparenta não colaborar com a mensagem.
Finalmente essa contextualização abstracta acaba por potenciar a composição no seu todo, justificando-a pela grelha e resultando algum equilíbrio óptico.
Estas duas ideias, a grelha e abstracção formal, levam-no a resultados sempre mais coerentes. Por um lado quebra em alguns trabalhos com a tradição horizontal, experimentado com o alinhamento oblíquo; por outro, cada vez mais especializado no meio, em outros dos seus trabalhos a ilustração minimalista quase coopera simbolicamente com o conteúdo.
Sobretudo em trabalhos de cariz social ou comercial, Müller-Brockmann opta por outro tipo de abordagem recorrendo à fotografia.
Nestes casos a imagem ganha importância sobre o texto, sendo a montagem
fotográfica quase auto-suficiente (o que é interessante enquanto contraste de método).
Não abandona no entanto a grelha, e experimenta também utilizar a fotografia como registo quase abstracto e até um tipo de ilustração simbolicamente mais colaborativa.
Definitivamente é a tipografia o foco de Joseph Müller-Brockmann, tendo sido um dos grandes
impulsionadores da Akzidenz Grotesk e posteriormente da Helvetica. Prefere o alinhamento horizontal mas experimenta com oblíquo. Raramente ilustra o conteúdo (salvas as excepções), apesar de por vezes o fazer de forma simbólica e contida.
Consegue um evidente equilíbrio óptico sem se restringir à simetria,
fundamentalmente promovido pelo alinhamento (ou grelha).
A cor harmoniza a composição sem ferir o público, permitindo apenas o justo contraste.
É ainda de louvar quando se encontra o que se procura.
António Andrade, Setembro de 2008




















Margaridaa no dia 11 de Out de 2008 às 9:22
Técnica à parte, há uns mais conseguidos do que outros, sinto que falta cor.
Os meus preferidos são o para Carl Sulricht e…, e o para georg solti e… .
Fabricio no dia 30 de Mar de 2009 às 14:07
como assim faltou cor?
na minha opinião, para criticar tem que ter base, conhecer a história, a época, o estilo e acima de tudo, respeitar e tentar entender porque esses que são considerados os “grandes designers” são assim denominados. depois sim, com muita base e respeito, critique.
bom, mas tirando este comentario, aos produtores do site parabens pelo projeto e pela materia, com certeza muito interessante e com imagens de trabalhos com uma qualidade ótima. abraços.