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Cartazes de Müller-Brockmann

Designer gráfico e professor, o suíço Joseph Müller-Brockmann produziu desde 1951 um número considerável de cartazes para concertos, assim como diversas colaborações com grandes empresas, e é ainda actualmente inspiração para muitos designers.

Reconhecido pelas suas formas simples e limpa utilização da tipografia, é também autor de vários textos sobre a prática do design, nos quais se revela um verdadeiro advogado da utilização da grelha.
Considerado um dos pioneiros do “estilo suíço”, nasceu em 1914 e deixou-nos oitenta e dois anos depois.

Também eu me sinto especialmente atraído pelos seus trabalhos, mais do que pela simplicidade, pela coerência e clareza (ou eficácia). De certa forma o seu estudo parece-me incidir sobre a forma de captar a atenção sem ferir o seu público e sobre como comunicar com o mínimo de ruído possível. O número de elementos é portanto contido, e a composição justificada com muito detalhe.

Apesar de isto poder parecer antever cartazes vazios de estética, sinto o oposto, seja a uma primeira vista, seja tentando adivinhar o conceito original, acabando por se revelar alguma poética na sua forma de ilustrar.

Cartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller Brockmann

Uma das características mais berrantes do trabalho de Joseph Müller-Brockmann, e que aliás acaba por caracterizar todo o “estilo suíço”, é sem dúvida a sua preocupação em se justificar com uma grelha. Mais do que isso, é constante a utilização de fontes não serifadas, umas vezes em caixa mista, outras limitando-se à caixa baixa. Não havendo por vezes recurso a qualquer tipo de ilustração, substitui casualmente esse aspecto apelativo pela utilização de uma cor de fundo secundária, moderando o contraste de toda a composição.

Sendo então prioritário organizar a informação, são hierarquizados os tamanhos tipográficos de forma a
permitir uma leitura de vários níveis mas sempre clara.

Cartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller Brockmann

Recorrentemente empregado para eventos musicais, mas não exclusivamente, experimenta por vezes reduzir a quantidade de informação: o texto continua independente mas inserido num jogo gráfico simples e plano, muitas vezes limitado às formas mais elementares, e que aparenta não colaborar com a mensagem.

Finalmente essa contextualização abstracta acaba por potenciar a composição no seu todo, justificando-a pela grelha e resultando algum equilíbrio óptico.

Cartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller Brockmann

Estas duas ideias, a grelha e abstracção formal, levam-no a resultados sempre mais coerentes. Por um lado quebra em alguns trabalhos com a tradição horizontal, experimentado com o alinhamento oblíquo; por outro, cada vez mais especializado no meio, em outros dos seus trabalhos a ilustração minimalista quase coopera simbolicamente com o conteúdo.

Cartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller Brockmann

Sobretudo em trabalhos de cariz social ou comercial, Müller-Brockmann opta por outro tipo de abordagem recorrendo à fotografia.

Nestes casos a imagem ganha importância sobre o texto, sendo a montagem
fotográfica quase auto-suficiente (o que é interessante enquanto contraste de método).

Não abandona no entanto a grelha, e experimenta também utilizar a fotografia como registo quase abstracto e até um tipo de ilustração simbolicamente mais colaborativa.

Cartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller BrockmannCartazes de Müller Brockmann

Definitivamente é a tipografia o foco de Joseph Müller-Brockmann, tendo sido um dos grandes
impulsionadores da Akzidenz Grotesk e posteriormente da Helvetica. Prefere o alinhamento horizontal mas experimenta com oblíquo. Raramente ilustra o conteúdo (salvas as excepções), apesar de por vezes o fazer de forma simbólica e contida.

Consegue um evidente equilíbrio óptico sem se restringir à simetria,
fundamentalmente promovido pelo alinhamento (ou grelha).
A cor harmoniza a composição sem ferir o público, permitindo apenas o justo contraste.

É ainda de louvar quando se encontra o que se procura.

António Andrade, Setembro de 2008


2 comentários a Cartazes de Müller-Brockmann

  1. Margaridaa no dia 11 de Out de 2008 às 9:22

    Técnica à parte, há uns mais conseguidos do que outros, sinto que falta cor.
    Os meus preferidos são o para Carl Sulricht e…, e o para georg solti e… .

  2. Fabricio no dia 30 de Mar de 2009 às 14:07

    como assim faltou cor?
    na minha opinião, para criticar tem que ter base, conhecer a história, a época, o estilo e acima de tudo, respeitar e tentar entender porque esses que são considerados os “grandes designers” são assim denominados. depois sim, com muita base e respeito, critique.
    bom, mas tirando este comentario, aos produtores do site parabens pelo projeto e pela materia, com certeza muito interessante e com imagens de trabalhos com uma qualidade ótima. abraços.

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