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Associações de Design Nacionais e Internacionais

Resumo

Qual será efectivamente o papel das associações na nossa sociedade e especificamente na nossa área? Se as vimos estabelecerem-se como referências obrigatórias noutras áreas porque ainda não contamos com o mesmo no Design? Será possível consegui-lo no nosso país e como? Tais são as questões que motivam a elaboração deste curto artigo que se quer ligeiro e pragmático.

Dos Grupos Associativos

É natural, ou antes humana, a necessidade de se criarem grupos associativos. Afinal, e sem resolver já com o velho ditado de que a união faz a força, esse é mesmo um facto relevante: pensando universalmente a construção das sociedades é isso mesmo. Neste sentido torna-se também compreensível a mesma necessidade nas suas restantes actividades mais específicas: só alguém dedicado ao mesmo labor saberá partilhar e defender completamente sentimentos e ideais. Foi com este intuito que vimos organizarem-se nalgumas das profissões mais antigas aquelas que conhecemos por exemplo como a ordem dos médicos ou dos advogados ou até os sindicatos para os operários mais ou menos fabris.

Se esta ideia e evolução é facilmente aceite, ao focarmos a nossa atenção na área do Design rapidamente nos apercebemos que esta definição não é tão evidente e acabamos por nos defrontar com aqueles que poderão ser considerados os esboços ou tentativas de uma verdadeira irmandade de designers. Interessa então antes de mais registar um ponto da situação, depois compreender o porquê desta sensação de relativo atraso e finalmente, dentro das possibilidades circunstanciais desenhar algumas ideias potencialmente férteis. Convém também manter em mente neste estudo rápido duas ópticas: a planetária e a nacional, porque afinal as sociedades se regem por fronteiras dentro das quais há que respeitar culturas e leis específicas.

Não tenciono aqui fazer uma listagem de associações de design, farei nesse sentido apenas o registo necessário para que cada um encontre rapidamente as suas referências. É no entanto imperativo destacar uma ou outra de forma a fazer valer algumas ideias e contrastes.

Dos preconceitos

Assim, se nas mais importantes associações nacionais ou internacionais o principal objectivo parece comum – fundamentar o papel do design na sociedade –, cada uma acaba por desdobrar esta missão em prioridades distintas, muitas vezes directamente ligadas ao contexto em que se desenvolvem, ou por outras palavras, se umas se preocuparão mais nessa relação com a sociedade outras concentrar-se-ão no sentimento de pertença e de partilha entre profissionais. Nos melhores casos devemos esperar o equilíbrio entre os dois pólos.

Por outro lado rapidamente nos apercebemos ao observar o panorama que talvez a ideia de dois pólos (um interno outro externo) talvez não seja muito correcta e deva ser corrigida por diferentes estádios evolutivos, como vamos tentar demonstrar de seguida.

Da situação actual

Em 1914 foi fundado o American Institute of Graphic Arts, que em 2005 mudou de nome para AIGA, The Professional Association for Design, mantendo a sigla por respeito ao património representado. Poderá certamente ser considerada uma das primeiras associações na área, mantendo ainda hoje forte e completa actividade, por si mesmo caracterizada em cinco palavras-chave dirigidas ao designer: informação, comunicação, inspiração, representação e validação.

É também de interesse a referida alteração de nome, reflectindo a abertura vivida pela disciplina mas sobretudo levantando desde já uma das dificuldades neste campo de acção: o design não se limita já (há bastante tempo) às artes gráficas, estendendo cada vez mais a sua influência. Isto quer também dizer que os designers foram, são e serão sempre pessoas de formação e interesses muito variados o que dificulta seriamente a convergência na sua associação.

Ainda pegando na ideia de dois pólos, de forma a contrastá-la com a universalidade da AIGA, temos por exemplo a D&AD, fundada em 1962, e cuja interacção com a sociedade está bastante mais relacionada com a acção, especificamente de ordem caritativa; ou seja, se procura também demonstrar a importância da nossa área, não passará tanto por informação mais ou menos teórica mas sim por trabalhos concretos que acabaram por contribuir para fins maiores. Finalmente compreendemos aqui que vários caminhos podem tender ao mesmo.

Desde 1969 podemos também contar na Europa com a intervenção do BEDA, The Bureau of European Design Associations, que tem desde a sua fundação tentado reunir e unir centros de design com a própria ideia de União Europeia. Apesar de louvável a tentativa de criar essa identidade, lamento a pouca informação disponível para consulta, sugerindo o simples repertório de instituições. Eventualmente pergunto-me se será de simples solução a ideia de uma Identidade gráfica europeia e sobretudo se a forte tendência institucional e social não acaba por lesar os interesses da área, pelo menos em contraste com a dinâmica económica e pragmática encontrada na América. Em todo o caso trata-se de um bom ponto de partida para fazer o ponto de situação em cada um dos países pertencentes.

Podemos também agora reparar numa instituição verdadeiramente internacional (não tanto pelo nome mas pela ausência de um vínculo territorial), como a ICOGRADA – International Council of Graphic Design Associations –, levantada em 1963 e entretanto incluída ou reformulada naquela a que se chama IDA – International Design Alliance. Se não me atraso relativamente ao registo dos (por de mais evidentes e espectáveis) pilares destas associações, não deixo de reflectir sobre a dificuldade de agir realmente num terreno tão vasto para além da homogeneização relativamente teórica de outras associações de envergadura mais local.

Em Portugal os resultados da minha superficial investigação acabam por fruir em situações bastante singulares. Por um lado temos a Associação Portuguesa de Designers, fundada em 1976, que francamente não me parece apresentar resultados efectivos satisfatórios para os mais de 30 anos de actividade: obviamente o papel de uma associação é antes de mais “defender e promover por todos os meios ao seu alcance as actividades e iniciativas que tenham como finalidade os interesses dos seus associados” (citado do próprio site) mas para além disso será que tem resultado realmente numa mais-valia para o Design enquanto disciplina e profissão?

Por outro lado temos o Centro Português de Design cuja visão é exposta pelo mesmo no seu site da seguinte forma: “o CPD deverá ser considerado pela excelência da sua actividade, a nível nacional  e  internacional, como centro agregador de competências, promotor ou co-promotor de acções que o reconheçam como uma entidade incontornável e de referência do design”; e sem querer entrar numa visão pecadora em pessimismo nele senti uma espécie de arrogância e falta de definição que desmorona qualquer espírito profissional e de real inovação e iniciativa.
Finalmente temos a emergente Associação Nacional de Designers, fundada apenas em 2003, e que parece querer ser a alternativa fresca e séria ao sentimento antes exposto. Tendo como um dos principais objectivos apostar na formação e na validação da mesma como forma de defender o design por designers, passando isto principalmente pela legislação da actividade.

Das considerações finais

Como já referi não me propus aqui à simples enumeração, nem tal seria útil. Fiz no entanto o levantamento suficiente para tecer algumas considerações.
Sendo irrefutável a necessidade positiva de associações é importante que estas sejam de definição concreta e sobretudo de real intervenção. Se começámos pela AIGA, que parece abranger não só os pontos correctos mas apresentando sobretudo um percurso muito interessante, talvez seja oportuno voltar a referir a ideia de estádios evolutivos. Creio que o terreno em que se move conta já com uma preparação completamente diferente da que poderemos encontrar, por exemplo, no nosso país. Ora isto permite justamente que deixe de ser mero “sindicato” de designers e que passe a representar uma verdadeira comunidade, rica em todos os sentidos, seja na formação, nas suas iniciativas criativas ou no seu papel advocatório.

Em Portugal, certamente em parte desculpado pela sua História, ainda não contamos com isto: o papel de uma associação deste tipo não deverá ser apenas a de divulgar concursos que, numa certa perspectiva, promovem a ideia de que cada um o poderá conseguir, num momento de genialidade, ao invés da construção de um percurso sólido; ou o de encontrar os melhores acordos económicos para os que nela se cotizam, mas sim, um pouco como sinto na vontade da AND, de criar um espaço sólido para o desenvolvimento, e posteriormente criar as pontes para a sociedade. E só mantendo uma postura séria isto poderá ser conseguido: teremos de acreditar em nós para que os outros em nós confiem, para que num futuro se sinta, mais do que uma associação, uma comunidade.

Se louvei já as intenções e formas da AND, é importante reforçar a ideia de que se uma instituição destas se compromete com a função de validar a formação, neste caso de designers, isto representa um cargo de alta responsabilidade que deverá ser isento de segundos interesses. E se deixei já transparecer a minha convicção quanto à seriedade de algumas instituições, também vejo o ensino actual longe de perfeito. Há portanto, a nível nacional, muito trabalho a fazer. Não digo que devemos levar o exemplo americano à letra mas sim investir na honestidade e na acção, tentando sair de um espírito mesquinho e de “constante crise”. Os objectivos parecem já definidos, falta a sua execução. E finalmente, não são duas ou três pessoas que devem fazer este trabalho mas sim toda a comunidade (ainda pouco oficial), afinal é no interesse de todos os designers. E que o façamos ainda melhor do que já foi feito noutras áreas.

Webgrafia

Consultas, por ordem de referência no artigo, efectuadas até ao dia 7 de Junho de 2009.


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