Feiras Municipais do Porto
Escrito em Novembro de 2009, por dardna em Design da Imagem, Design de Comunicação (gráfico).
Entende-se nesta proposta uma necessidade de iluminar um pouco sítios e situações do Porto consideráveis “alternativos”, ou melhor, “obscuros”, dando-lhes uma exposição mais generalizada e, idealmente, trazendo-lhes mais e nova vida.
Eventualmente pela ideia de comércio local ou das suas raízes, focámo-nos rapidamente nas feiras municipais. Sabíamos de cinco delas, duas das quais, a dos Passarinhos e a do Coleccionismo, ao domingo de manhã.
Visitámos portanto ambas à primeira oportunidade. Conversámos com os feirantes de forma a, tanto quanto possível nesta abordagem, compreender o espírito que os reúne, e reunimos o máximo de matéria fotográfica de forma a facilitar a posterior reflexão gráfica.
Sendo que acontecem em simultâneo e em espaços muito próximos tentámos num primeiro momento tornar paralelas as duas feiras, tentando sintetizar uma ideia de conjunto. Conjuntos de moedas por exemplo, conjuntos de pássaros e animais ou de outros objectos.
Visualmente tentámos comunicar planificando cada um dos conjuntos: no extremo, teríamos nas nossas páginas uma espécie de banca contínua em que se expunham página a página os diversos conjuntos que se comercializam na baixa do Porto ao domingo de manhã.
Finalmente, enquanto compúnhamos esta solução apercebemo-nos que não estávamos a responder nem às nossas expectativas nem à proposta inicial, surgindo numa epifania novo fundo e forma. Por muito bons que fossem os nossos registos fotográficos não queríamos cair na simples foto-reportagem e afinal o nosso objectivo era levar o público à cidade e não o contrário. Por outro lado decidimos tornar a nossa produção num objecto realmente dinâmico e que ao mesmo tempo continuasse a remeter para a ideia de conjunto/colecção.
Transformámos então as nossas fotografias digitais, reduzindo-as aos contrastes mínimos, brincando com o limite da leitura imagética. Com elas criámos um cartaz no formato A3 que, fragmentado pelos picotados, daria origem a oito postais, cada um deles relatando uma situação numa destas feiras.
Num terceiro momento concordámos ser mais saudável separar as duas feiras, dando a cada uma o seu conjunto de postais. Afinal nesta lógica poderíamos estender o conjunto de dois cartazes/postais a tantos outros locais, constituindo uma colecção autónoma.
Projecto realizado com Jorge Ribeiro.