Good50×70 Nuclear Emergency
Escrito no dia 22 de Abril de 2009, por dardna em Cultura Visual I, Design de Comunicação (gráfico).

No contexto da edição 2009 do Good50×70, foram desenvolvidos alguns modelos para o tema da emergência nuclear, precedidos de uma investigação em grupo.
Projecto individual, António Andrade:
Palavras-chave: resíduos, não-renovável, acidentes.
A principal preocupação durante a formulação dos modelos para este projecto foi definitivamente manter uma linguagem universal, logo quase excluindo o uso da tipografia. Surgem então quatro modelos dos quais dois seriam considerados finais.
Investigação realizada por Almeida Ganefabra, António Andrade, Jorge Ribeiro, Marco Costa, Mauro Santos e Paulo Santos:
O que é a Energia Nuclear?
A energia nuclear provém da fissão de átomos de urânio, de plutónio ou de tório, sendo utilizada principalmente para gerar electricidade mas também para fins militares.
Estas reacções são provocadas numa sequência multiplicadora também conhecida como “reacção em cadeia”, sendo controladas geralmente em reactores nucleares de grandes centrais. Concretamente existem dois sistemas em que a energia nuclear pode ser obtida em grandes quantidades: a fissão nuclear e a fusão nuclear. Na fissão nuclear o núcleo atómico subdivide-se em duas ou mais partículas; na fusão nuclear, pelo menos dois núcleos atómicos se unem para produzir um novo núcleo.
A este tipo de energia houve já uma grande adesão por todo o mundo, principalmente em países como a França, Japão, Estados Unidos, Alemanha, Brasil, Suécia, Espanha, China, Rússia, Coreia do Norte, Paquistão e Índia, entre outros.
Vantagens e Desvantagens
Como todos os tipos de energia, a nuclear apresenta vantagens e desvantagens, sendo que neste contexto serão de maior importância as desvantagens e perceber de que forma as vantagens não compensam os enormes problemas que este tipo de energia pode trazer.
Talvez a maior das vantagens do nuclear, é o facto de não produzir dióxido de carbono, o responsável pelo efeito de estufa e o aquecimento global, ou quaisquer outros gazes tóxicos para a atmosfera. Consegue produzir energia com pouco combustível e a custos bastante baixos, uma enorme quantidade de energia pode ser produzida numa única central.
Apesar de a energia nuclear ser de certa forma mais limpa, que as energias derivadas do petróleo, apresenta riscos que tornar esta alternativa como uma não opção aos problemas energéticos. Apresenta também enormes custos na criação da central e de toda a infra-estrutura necessária à produção de energia eléctrica.
Mas o grande problema deste tipo de energia, são os resíduos que continuam a emitir radioactividade durante milhares de anos. Estes resíduos têm que ser armazenados, geralmente em abrigos subterrâneos, na expectativa de ser encontrada uma solução para os mesmos. Embora, no geral esses resíduos estejam protegidos, não existe uma maneira de garantir o armazenamento sem custos e absolutamente seguros dos resíduos, existe o perigo real de um qualquer acidente libertar esses resíduos para o ambiente.
Outros dos perigos desta energia é que a criação de centrais nuclear com fins a criação da energia, também possibilita a construção de armamento nuclear.
Existe ainda o risco potencial, de acontecer um acidente na central e causar outra catástrofe ao nível daquele que aconteceu em Chernobyl. Além dos acidentes, as centrais nuclear são também um alvo vulnerável e apetecível num ataque terrorista.
Marcos Históricos
1789 – Martin Klaproth descobre o Urânio;
1934 – Enrico Firmini foi pioneiro a experimentar a Fissão Nuclear (quebra espontânea do núcleo de um átomo instável em dois menores e mais leves);
1938 – Otto Hahn, Fritz Strassmann, Lise Meitner e Otto Robert Frisch, detectaram que ao bombardear Urânio com neutrões, este repartia-se em duas partes menores e mais leves que por sua vez se transformam em energia;
1942 – Primeiro reactor nuclear feito pelo homem, Chicago Pile-1, USA. Tornou-se parte do Manhattan Project, onde vários reactores foram construídos e que o seu plutónio foi usado nas primeiras bombas nucleares usadas em Hiroshima e Nagasaki;
1945 – Novo México, USA, primeiro teste de uma bomba atómica, sobre o nome de código Manhattan Project;
1945 – Little Boy é lançada em Hiroshima e Fat Man em Nagasaki, marcando o fim da 2ª Guerra Mundial;
1946 – É criada a AEC (Atomic Energy Commission) para controlar o desenvolvimento da energia nuclear e explorar o seu devido uso;
1951 – Nasce em Arco a primeira central nuclear;
1957 – As Nações Unidas criam a IAEA (Internacional Atomic Energy Agency) para prevenir o uso de armas nucleares e promover o pacifico uso da energia nuclear;
1979 – Primeiro acidente de uma central nuclear nos EUA, central Three Mile Island, Pennsylvania;
1986 – Central Nuclear de Chernobyl, Ucrânia, antiga União Soviética, sofre duas explosões causando o caos. Foram calculadas 56 mortes e cerca de 4000 pessoas morrerão de doenças relacionadas com o acidente;
2000 – Central de Chernobyl é desactivada;
Presente – 31 países operam 443 centrais nucleares, sendo 16% da energia produzida mundialmente nuclear: EUA 20%; França 75%; Alemanha 33%, Ucrânia 49% e Rússia 18%.
Nuclear: sim ou não?
O mundo acorda lentamente para a complicada situação da sustentabilidade de recursos geológicos e biológicos. Tendo em consideração a produção total de energia eléctrica no mundo, a participação da energia nuclear aumentou de 0,1% para 17% em trinta anos.
Em termos relativos, os países europeu são os que mais utilizam a energia nuclear, sobretudo a Europa Ocidental. Três países respondem por 60% do total mundial de capacidade/geração desta energia: Japão, França e EUA.
Após alguns acidentes, como Chernobyl, diversos países diminuíram os investimentos nos programas de produção de energia nuclear, como por exemplo a Itália, cancelando os seus projectos. Recentemente, a Alemanha decidiu que não seriam instalados novos reactores e que os ainda em funcionamento seriam igualmente desactivados. A Turquia também abandonou o projecto de construir sua primeira central nuclear. Ao invés, o Brasil pondera a construção de novas, tal como a Rússia, a qual se encontra interessada no desenvolvimento de uma central em solo eslovaco.
Em Portugal, o nuclear está igualmente a ser discutido. Entre a controvérsia, enquanto uns defendem a energia nuclear como a solução para os problemas da dependência petrolífera do país, outros, como os ambientalistas, dizem que esta não é a alternativa para o futuro do sector energético.
Por outro lado, existe igualmente a questão dos resíduos nucleares e qual o seu futuro, um problema ainda sem solução à vista.
Soluções
Se as últimas gerações de centrais nucleares parecem reduzir ligeiramente o seu impacto ambiental, aumentando o número de ciclos de decomposição dos resíduos ou recorrendo a combustíveis alternativos, e ao contrário do que alegam os seus defensores, existem outras soluções passíveis de contrariar o problema energético e da escassez de combustíveis fósseis.
Referem-se obviamente as energias renováveis, seja a energia do sol, do vento, dos oceanos, mares e rios, do calor da terra ou da biomassa, quase todas elas representando um impacto ecológico inferior às fontes energéticas não-renováveis.
Enquanto persiste o debate procurando saber se se deverá investir ainda mais na energia nuclear, as medidas mais importantes aos olhos das campanhas “verdes” prendem-se principalmente à segurança e supervisão das centrais existentes, assim como ao tratamento e isolamento dos seus resíduos, tentando sempre evitar a proliferação deste tipo de energia mas sobretudo evitar novos acidentes e defender as vítimas do passado.
Por outro lado há uma preocupação, também política, que está relacionada com o facto do recurso nuclear ainda representar uma ameaça militar.
Webgrafia
(consultas até 08/03/09)
http://www.greenpeace.org/international/campaigns/nuclear
http://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_power
http://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_power_debate
http://en.wikipedia.org/wiki/Renewable_energy
http://www.sd-commission.org.uk/pages/is-nuclear-the-answer.html
http://www.laka.org/protest/posters/posters.html