[Proj. II] Real versus Ficção
Escrito em Dezembro de 2007, por dardna em Design de Comunicação (gráfico), Media I.
![O Real Fantasma [Proj. II] Real versus Ficção](http://dardna.com/wproot/wp-content/uploads/2008/10/bp1bloggercom3-532x800.jpg)
![O Fantasma Ficcionado [Proj. II] Real versus Ficção](http://dardna.com/wproot/wp-content/uploads/2008/10/bp3bloggercom2-542x800.jpg)
O Fantasma, Memória Justificativa
Frente a esta proposta preocupou-me mais o desafio técnico do que propriamente um primeiro resultado. De facto, para tal, nada melhor do que pegar na máquina e começar a registar.
As primeiras exposições despertam a visão para as preocupações mais directas desta actividade, em muito adormecidas pela era digital, e à medida que o olho se habitua a estas configurações define-se pouco a pouco tipo de imagem que procurava. A Marginal parece abrir o seu fado do esquecimento à minha objectiva, e atarefo-me a guardar memória.
Diante já das duas imagens escolhidas o método pode parecer distante. Uma sombra sobre água corrente foi o momento. Fascinou-me a forma como esse registo inesperado sugere um enquadramento desejado e comunicante quando quase tudo deve ao acaso. Algo como encontrar na revelação uma qualquer presença ou intervenção exterior.
Se este momento parece questionar os limites da realidade, a imagem encenada não será menos perturbadora. Um auto-retrato de mim para a objectiva e em que esta se torna mesmo o centro do estudo. O carácter gráfico final remete de certa forma para a própria prática fotográfica, mantendo todos e quaisquer enigmas ficcionais em aberto.
Não serão tão surpreendentes as conclusões técnicas quanto as possíveis linhas de pensamento. Afinal a proximidade com o próprio instrumento vem apenas com a experiência mas será todo o processo, os erros e acidentes, e principalmente, o resultado final, ponto de partida para extensa reflexão. Até que ponto vai a fidelidade do momento, propenso à crueza; até que ponto pode ser o momento manipulado, tanto pelo produtor quão pelo intérprete ou até por elementos terceiros. Talvez a imagem do momento fora da sua realidade não seja mas que o registo do momento como se quis mostrar. Será então muito ténue a fronteira entre o encenado e o espontâneo, louvando-se em ambos as possibilidades expressivas, mais do que documentais.
sobre Projecto 02 – Real & Ficção,
António Andrade 5.12.07
Margaridaa no dia 4 de Jan de 2008 às 12:05
Interessante reflexão sobre o acto de fotografar.
Apeteceu-me por isso deixar aqui o nome de um livro que fala disso, também : A Câmara Clara de Roland Barthes.