dump

Resultados para a tag arte

A Arte como Antropologia

Apesar de estudar o que em comum mais temos – o humano e todas as suas relações – a Antropologia apenas se consolida verdadeiramente como ciência modernamente. Poderá isto até parecer profundamente contraditório, a verdade é que pela sua abrangência, seja entre os pólos tempo e espaço ou entre cultura e fisiologia, tardou a definição de focos e, sobretudo, de métodos.

Retrospectivamente, já a Antiguidade Clássica parece pensar-se enquanto sociedade e até em observação de outras culturas. E afinal toda a literatura de viagem, tão característica do lusitano, é também um estudo antropológico. O problema, como já o vimos, é a falta de um objecto claro, e se os trabalhos de Darwin e as suas conclusões evolucionistas lançam um primeiro paradigma, marcadamente etnocentrico, para pensar diferentes culturas e sociedades – a Antropologia Cultural, é o polaco Malinowski que lega a metodologia mais marcante para a disciplina, com a ideia de trabalho de campo com observação participante, sendo as suas investigações de 1915, na Austrália, disso exemplo. Ler mais...

Da Psicologia na Arte

Preocupada em decifrar e compreender os impulsos, reacções e comportamentos da psique, a psicologia enquanto ciência humana abrange muito mais do que se possa comummente pensar. Se por definição o seu objecto parece uno, os fenómenos e o próprio método de estudo diversificam-se grandemente, fazendo desta esfera um campo verdadeiramente multidisciplinar: aproximando-se tanto da antropologia como da medicina, engloba ainda outros sistemas como a psicanálise, neuropsicologia ou a psicopatologia (demasiadas vezes tomada como o todo da psicologia). Em suma trata-se de esboçar processos mentais.

Assim, como a comunicação ou qualquer outra actividade humana, a arte também acontece, mais ou menos nitidamente, subjugada a estes processos. Já a estética permitira (e permite) ampla discussão sobre a natureza da arte mas, provavelmente pelas suas raízes estritamente lógico-verbais, não será o suficiente para uma visão sã da globalidade da produção artística. Faz então sentido aplicar as questões levantadas em geral pela psicologia no campo particular da arte, desmistificando relações de produção e de interpretação (afinal interpretar também é produzir e vice-versa), não para concluir a superioridade de uma disciplina sobre a outra, o que seria absurdo, mas pelo contrário, compreender em que pontos se tocam realmente. Ler mais...

Geometrias Não-Euclidianas

O método alternativo e as novidades por ele introduzidas na arte e ciência.

Introdução

Antes das geometrias não euclidianas

Nascimento das geometrias não euclidianas

Geometrias não euclidianas

Geometrias não euclidianas e a arte

Conclusão

Bibliografia

I. Introdução

Na sucessão da mudança de sistema de artes, fenómeno que se pode dar por terminado no fim do século XVIII, não só se altera o estatuto do artista como a concepção de obra de arte. Novas ideias surgem neste ambiente fértil, agora liberto do dogmatismo da Igreja que projectou a sua ideologia (sombra?) durante toda a Idade Media.

Estas inovações acontecem em todos os ramos da sociedade, sobretudo na arte e na ciência e, contra todas as aparências, talvez não devêssemos separar tão prontamente estes dois campos. Na Antiguidade o conceito de arte não impunha esta divisão e englobava qualquer conhecimento técnico, desde fazer sapatos a escrever poemas e esta fissura deve-se à actual tendência para remeter qualquer actividade humana para as respectivas esferas da economia, politica, sociologia e arte. De facto, vivemos numa sociedade que pela especialização dos seus membros acaba por aumentar o fosso existente entre as diversas disciplinas ao mantê-las num estudo isolado e quase contraditório.

Destas inovações interessa-me especialmente para esta reflexão o aparecimento das chamadas Geometrias Não Euclidianas, no século XIX, que vêm, como o nome indica, por em questão a concepção euclidiana até então dominante. É preciso compreender que este foi um marco importantíssimo que alterou completamente a maneira de ver e estar. É certo que não foi uma coisa instantânea, antes pelo contrário, a principio foi uma ideia muito mal vista, mas a verdade é que para hoje analisar correctamente muita da arte que é produzida será necessário voltar atrás e assimilar estas noções pois são numerosos os artistas que delas se embebem.

Assim, sem mais demoras, voltemos atrás no tempo. Ler mais...