Quem lida comigo de perto sabe o quanto me preocupa o futuro profissional na área do design, principalmente no panorama nacional. É evidente que à área não é ainda atribuído o justo valor, tanto em termos de orçamento como em termos de real utilidade.
Pois muito me ri quando ao ler os já habituais links diários do pedamado é levantada a seguinte situação no cargadetrabalhos:
A Winicio oferece dois estágios não remunerados a recém licenciados nas áreas de Design de Comunicação ou similar.
Precisamos de cromos que dominem, ou estejam a caminho, os adobes: photoshop (maquetização e pós produção), illustrator (desenho vectorial e arte-finalização) e indesign (paginação e produção editorial) e ainda damos preferência a conhecimentos de modelação e animação 3D.
Se os estágios correrem bem, podem sempre ficar por cá a fazer um estágio profissional.
Se os estágios profissionais ….
Onde será que isto vai parar? Um estágio para conseguir um estágio... Enfim, estou perfeitamente de acordo com a ideia do Pedro, não só propostas destas deviam ser prontamente recusadas como tidas por brincadeiras de péssimo gosto, responsáveis pela falta de dinamismo no mercado nacional. Afinal, mais uma vez em consonância com o Pedro, trabalhar para aquecer mais vale fazê-lo por conta própria...
Pois, um grande achado no Flickr mas não consegui encontrar o autor, lamento... Se já antes falava do designer hoje temos o design: "O bom design tem tudo a ver com fazer os outros designers sentirem-se idiotas pois a tal ideia não foi deles". Brilhante!
Aqui fica hoje, a marcar o lançamento da exposição "Eu Não Queria Fazer Isto Mas Fui Obrigado!!", na FBAUP, a divagação teórica que rege o trabalho gráfico desenvolvido. O tema, individual, era no meu caso a relação entre design e poder. Efectivamente, este plágio estilístico ao poster de guerra, pode e deve ser tido como a conclusão do que se segue. A quem interessar o resto da exposição, a blogovisita é gratuita, no POSTANTE.
DESIGN e PODER
Introdução
Raízes
Primeira Guerra Mundial
Segunda Guerra Mundial
Conclusão
Introdução
Poder, no seu sentido mais directo, refere ao direito de deliberar e agir sem entraves numa dada circunstância, revelando a posse de força e influência nesse contexto. Qualquer um de nós terá facilidade em encontrar exemplos disto em situações do quotidiano: desde o dono que manda no seu cão passando pelos grupos de pressão em decisões governamentais até ao banal controlo exigido pela brigada de trânsito na berma de alguma estrada. Neste último caso, mais especificamente do que nos outros, entramos evidentemente no campo da Autoridade.
Aquele, individuo ou instituição, que representa a Autoridade, defende a obediência a uma ordem que se tem por legítima. De certa forma, a Autoridade é o músculo do Poder, exercida sobretudo como boa manutenção da vontade do poderoso. É ainda forçoso notar que a Autoridade é fonte de Poder para aquele que a deve exercer. Em todo o caso, politicamente, no momento de uma revolução, por exemplo, Autoridade e Poder separam-se podendo opor-se.
As ciências humanas cedo tiverem necessidade de triar conceitos e de os catalogar pelas grandes esferas. Podemos então geralmente falar de poder económico, militar, político ou social. Karl Marx, fundador de algumas das bases teóricas mais sólidas para muitos ao longo dos tempos, foi neste campo um dos principais pioneiros, preocupando-se por desenvolver nas suas obras temas como “as relações de poder na sociedade”, “a luta das classes” ou ainda famosas ideias sobre capitalismo, produção e alienação que inevitavelmente em muito moldaram a maneira ocidental de pensar o mundo.
Mas qual o papel do Design? Qual a sua relação com o Poder? Ler mais...