Preocupada em decifrar e compreender os impulsos, reacções e comportamentos da psique, a psicologia enquanto ciência humana abrange muito mais do que se possa comummente pensar. Se por definição o seu objecto parece uno, os fenómenos e o próprio método de estudo diversificam-se grandemente, fazendo desta esfera um campo verdadeiramente multidisciplinar: aproximando-se tanto da antropologia como da medicina, engloba ainda outros sistemas como a psicanálise, neuropsicologia ou a psicopatologia (demasiadas vezes tomada como o todo da psicologia). Em suma trata-se de esboçar processos mentais.

Assim, como a comunicação ou qualquer outra actividade humana, a arte também acontece, mais ou menos nitidamente, subjugada a estes processos. Já a estética permitira (e permite) ampla discussão sobre a natureza da arte mas, provavelmente pelas suas raízes estritamente lógico-verbais, não será o suficiente para uma visão sã da globalidade da produção artística. Faz então sentido aplicar as questões levantadas em geral pela psicologia no campo particular da arte, desmistificando relações de produção e de interpretação (afinal interpretar também é produzir e vice-versa), não para concluir a superioridade de uma disciplina sobre a outra, o que seria absurdo, mas pelo contrário, compreender em que pontos se tocam realmente. Ler a continuação...